LGBTI+ | 19 Jun 2019

“Estamos vivendo um momento de incertezas”

Para Rafaelly Wiest, do Grupo Dignidade, a guinada conservadora do governo federal abriu espaço para ataques à população LGBTQI+
Por - Grupo Dignidade

Os próximos quatro anos devem ser desafiadores para quem se articula em defesa dos direitos humanos no Brasil, acredita Raffaelly Wiest da Silva. Aos 36 anos, Rafaelly é diretora de Informação do Grupo Dignidade, organização paranaense que defende os direitos da população LGBTQI+. Para ela, vivemos “um momento de incertezas”. 

O ano começou com um desafio principal, segunda ela: o de “termos um chefe de Estado que não acredita que pessoas têm que ter de fato direitos iguais”. Essa guinada conservadora do executivo já teve reflexos práticos. Em 2018, apesar das dificuldades impostas pela agenda nacional, foi aprovada a ADI 4275 – Ação Direta de Inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal (STF), o que possibilitou que a população trans pudesse retificar o prenome e gênero no registro civil sem a necessidade de cirurgia de transgenitalização. 

Na contramão dessa conquista, 2019 começou com o aprofundamento da retirada de direitos e duros ataques à população LGBTQI+: “A ministra dos Direitos Humanos tem uma postura conservadora e fez declarações polêmicas sobre as pessoas LGBTQI+; o Ministério da Educação diluiu a SECADI (Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão) e declarou que não trabalhará com as questões sobre orientação sexual e identidade de gênero, as tratando como ‘ideologia de gênero’; já o Ministro de Saúde começou retirando a cartilha de saúde dos homens trans. Com essas ações, vindas do primeiro escalão, nos causa grandes apreensões”.
 
Como perspectiva, lutar por avanços e nenhum retrocesso continua no centro da pauta!

FOTO: Lia Bianchini

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